August 2009
O Caderno de Saramago
Yemen
Agosto 10, 2009 por José Saramago
À escritora colombiana Laura Restrepo, nossa amiga pelo coração e pelas ideias, encarregou-a Médicos sem Fronteiras que viajasse ao Yemen para depois contar o que lá tivesse visto, ouvido e sentido. O relato dessa experiência foi agora publicado no “El País semanal”, uma reportagem impressionante como, em princípio, qualquer outra que se faça em África, mas que a arte de narrar de Laura, ao recusar, como é próprio da sua natureza de escritora, os efeitos emotivos de uma escrita que intencionalmente apelasse à sensibilidade do leitor, prefere expressar por uma obstinada procura de realidade directa ao alcance de poucos. As descrições da chegada dos barcos que vêm da Somália, sobrecarregados de fugitivos que esperam encontrar no Yemen a solução das dificuldades que os empurraram para o mar, são de uma rara eficácia informativa. Vêm neles os homens, as mulheres e as crianças do costume, mas Laura Restrepo não tarda a mostrar-nos como é possível falar de homens sem estar obrigado a falar das mulheres e das crianças que com eles vieram, mas que das crianças seria impossível falar se não se falasse também, e sobretudo, das mães que os trazem, às vezes ainda na barriga. As situações em que essas mulheres vão encontrar-se depois de desembarcarem no Yemen constituem um catálogo completo das humilhações morais e físicas a que estão sujeitas só pelo facto de terem nascido mulheres. Por trás de cada palavra escrita por Laura há lágrimas, gemidos e gritos que seriam capazes de nos tirar o sono se a nossa flexível consciência não se tivesse acomodado à ideia de que o mundo vai aonde querem os que o dominam e que para nós já será bastante cultivar o nosso quintal o melhor que soubermos, sem que tenhamos de preocupar-nos com o que se passa do outro lado do muro. Esta, sim, é a mais velha história do mundo.
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July 2008
Edgard Braga
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Edgard Braga
(Maceió AL 1897 - São Paulo SP 1985)
Concluiu a Faculdade de Medicina, na Universidade do Brasil, Rio de Janeiro RJ, por volta de 1922. Nas décadas seguintes, se dedicou à profissão de médico obstetra. Foi membro-correspondente da Academia de Alagoana de Letras e publicou seu primeiro livro de poesia, A Senha, em 1935. Seguiram-se Odes (1951), Inútil Acordar (1953), Extralunário (1960), Algo (1971) e Desbragada (1984), entre outros. Em 1984 ocorreu em São Paulo SP exposição promovida pelo Centro Cultural São Paulo, com o lançamento do livro Desbragada. A poesia de Edgar Braga é concretista. Sobre sua obra, o poeta Augusto de Campos, também concretista, escreveu, no poema Algo sobre Algo: "o que espanta em edgard braga é a liberdade total da criação. que faz com que, perto de seus poemas, as mais ousadas tentativas de atualização ou rejuvenescimento de certos poetas da velha geração pareçam tímidos ensaios de recauchutagem."
February 2008
poesia.net 71
Tigre! Tigre!
William Blake
O TYGRE
Tradução: Augusto de Campos
Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?
Em que céu se foi forjar
o fogo do teu olhar?
Em que asas veio a chamma?
Que mão colheu esta flamma?
Que força fez retorcer
em nervos todo o teu ser?
E o som do teu coração
de aço, que cor, que ação?
Teu cérebro, quem o malha?
Que martelo? Que fornalha
o moldou? Que mão, que garra
seu terror mortal amarra?
Quando as lanças das estrelas
cortaram os céus, ao vê-las,
quem as fez sorriu talvez?
Quem fez a ovelha te fez?
Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
que olho ou mão armaria
tua feroz symmetrya?
O TYGRE
Tradução: José Paulo Paes
Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama,
Que olho ou mão imortal podia
Traçar-te a horrível simetria?
Em que abismo ou céu longe ardeu
O fogo dos olhos teus?
Com que asas atreveu ao vôo?
Que mão ousou pegar o fogo?
Que arte & braço pôde então
Torcer-te as fibras do coração?
Quando ele já estava batendo,
Que mão & que pés horrendos?
Que cadeia? que martelo,
Que fornalha teve o teu cérebro?
Que bigorna? que tenaz
Pegou-te os horrores mortais?
Quando os astros alancearam
O céu e em pranto o banharam,
Sorriu ele ao ver seu feito?
Fez-te quem fez o Cordeiro?
Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Que olho ou mão imortal ousaria
Traçar-te a horrível simetria?
THE TYGER
Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?
In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand, dare seize the fire?
And what shoulder & what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand & what dread feet?
What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what the grasp
Dare its deadly terrors clasp?
When the stars threw down their spears,
And water'd heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?
Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?
December 2007
:: Revista Eletrônica Teatral antaprofana ::
Apoiado pela CASA DAS ROSAS, o MOVIMENTO CULTURAL FREUD 150 ANOS: A ARTE DO INSCONCIENTE propõe aos artistas – para o próximo dia 06 de maio – uma série de eventos (performances, discussões, leituras dramáticas, cafés filosóficos, etc), todos ligados aos seguintes autores: Shakespeare / Franz Kafka / Goethe / Plínio Marcos / Nelson Rodrigues / Corpo Santo / Ibsen / Mário de Andrade / Oswald de Andrade, etc.
Caso haja interesse, entre em contato com Fabiana Ratti através dos telefones (11) 3097 9753 / 3097 0349.
Saiba mais sobre o projeto, acessando o site: http://www.lacaniana.com/freud150.htm
November 2007
October 2007
Cidade de São Paulo
Corredor Literário deve atrair cerca de 100 mil pessoas à Avenida Paulista
28 de setembro de 2007 – Em sua edição 2007, o Corredor Literário ganhou mais dias na programação. O evento começa com um “aquecimento” que vai do dia 1º a 7/10. Neste período, diversas atividades culturais já serão realizadas em vários pontos da Avenida Paulista, como na Livraria Cultura , no Masp, na Fnac, no Instituto Cervantes, na Alameda das Flores e no Sesc Paulista. Cerca de 150 atividades culturais e gratuitas, divididas em 14 pontos, devem atrair um público de aproximadamente 100 mil pessoas à avenida mais famosa da cidade.
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